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por inteiro

das mesmas profundezas
onde me assusto
com o imprevisível

onde acho
sentimentos insólitos
emaranhados em minhas raízes

está aquele sentimento
que me envolve
como um cafuné

quero ficar
quero correr
ficar e correr

ficar inteira,
deitada,
alerta

correr firme,
vibrante,
entregue

correr do susto
como se emaranhados
ficassem pra trás

fincar o pé
nas raízes fortes
despida de todo o resto

pra que brote
o que tiver
pra brotar

talvez sejamos mesmo
isso tudo e algo mais

querer ficar e querer correr
se saber inteira e faltante
cheia de convicções e vazios
natureza que se recria
sempre desejante,
enquanto sendo.

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atordoamento

para Mônica Benício

uma dor-bombardeio
de desesperança

incômodos individuais
de uma cratera coletiva

a dor é real
de todas que sentem
o momento

não a afastaremos assim
não tão fácil

desoladas, ainda
podemos caminhar juntas
ao encontro de uma saída

caso não seja o encontro uma saída
será um caminho
ou um afago no caminho

nós, movidas por ideais e afetos
não podemos nos esquecer do carinho
nem dos encontros

e que possam se encontrar também
nossos fantasmas e desesperanças
que não são apenas nossos

uma humanidade inteira
pode ser o tempo necessário
pra nossa dor cessar
pra vermos as pessoas se cuidarem com amor
e realmente praticarem que nenhuma existência
é propriedade de ninguém

e nós seguiremos
juntas e firmes
acreditando que o encontro e o carinho
são também caminho.

#MariellePresente

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furacão

como num redemoinho
uma força me puxa
para a base
rodando
rodando
rodando

sacolejo e farejo a poeira no chão:
meu nariz chega a chamuscar.

como o redemoinho,
volto para o mesmo lugar
para sair mais acima depois

serpenteio até o topo:
de cima, há perspectiva

me engasgo
com tanto oxigênio

e vejo minha pele esvoaçar como se fosse feita de plumas
- uma p'ra cada lado

cinzas
brancas
verdes
azuis
negras
roxas
vermelhas
douradas:
todas me habitavam
onde? não sei,
mas eram muitas.

e agora saem
cirandeando o furacão
no inquestionável
tempo do vento

no inquestionável
tempo do tempo.

-

não haverá rigidez que resista,
não haverá.

não haverá brisa que se repita.

pensava ser possível sair
pela tangente do olho
de um furacão

não fosse eu plumas multicor
que seguem caindo
e girando e caindo,
orbitando,
sendo parte
do próprio tempo-furacão.

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bem-vinda

para Pilar

a dor que lhe habita vem
de dentro das suas células

o medo que lhe enrijeceu
chegou antes que se pudesse negá-lo
por quem queria lhe proteger

da dúvida, veio o vazio







do vazio, mais dúvidas
que lhe permitiram ser assim.

viver é tão mais complexo
sobreviver tão corajoso:

não se pede nada além
de que você viva. e seja.
essa força complexa que você é
desde que vingou, exatamente como você é.




bem-vinda.
você conseguiu.
o vazio.
a dúvida. a dor.



na origem de tudo estava,
antes, o amor.



aquela mulher abrigava

esperanças, abrigava

a dúvida, o medo

a autenticidade e o cuidado

aquela mulher acolhia

a memória do que não pode ser

esquecido sem ser antes entendido.

carregava honra

e a coragem de quem, frágil frágil

deu a força que tinha

– e foi suficiente.


nela repousava o medo

de viver e falhar

de sobressair e morrer

e repousava o desejo de viver.


todos esses sentimentos

precisaram estar ali: juntos

em determinados momentos.

tudo tem seu tempo

e o tempo nunca é o mesmo.

na origem de tudo

segue estando o amor.



e, antes disso,

a precisão de aprender a amar

cada centímetro de quem podemos ser

nesse tempo que nos

entendemos humanas.

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