por ora

tem horas
que não se quer parar:
passadas largas e rápidas
músculos em contração
estímulos à exaustão

cabeça a mil
reproduz formas de pensar
que já não servem
– enferrujadas –
pensamentos bumerangue
criam a próxima grande ansiedade

não sei quem foi que nos ensinou assim,
mas tenho algumas suspeitas:
cabeça vazia é a oficina do diabo
deus ajuda quem cedo madruga
a formiga e a cigarra
“não fale em crise, trabalhe!”
ocupe-se (que é pra não ocupar outros lugares)

por ora
posso estar suspeitando errado
– o que não basta, ao contrário daqueles para os quais basta a convicção –
nessa filosofia de botiquim

posso estar respirando errado
na correria de achar a solução
– que agonia! –

por ora, acho um tanto de coisa:
respostas e culpadas,
que a expressão “muita coisa”
tem sido desgastada,
que é importante falar o básico
– e repetir -,
(falar o básico
e repetir)
que há muitas exclamações e maiúsculas
e poucas reticências e escuta
que talvez posso jamais acreditar numa solução pra toda a vida
e que saber parar como parte do caminho é mais importante que buscar qualquer solução definitiva.

por ora.

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